Acredito que a vida é regida por uma lei, a partir da qual
toda ação individual tem um efeito, que retorna a nossa própria vida. Não se
trata de punições ou gratificações pelas nossas atitudes, são apenas efeitos.
Para usarmos uma analogia corriqueira, colhemos o que plantamos... Plantando
espinhos, colheremos espinhos e não há como culpar a ninguém senão a nós
mesmos. Se plantarmos flores, no entanto, colheremos flores e quanto mais belas
as flores que plantarmos, mas belo o jardim que surgirá em torno de nós.Como,
no entanto, plantar um jardim se a maioria de nós está sempre rodeada de
espinhos? Como não deixar que as flores murchem em meio à podridão dos
sentimentos que sempre nos envolve?
Após quase 10 anos, resgato o velho blog da adolescência. Agora com o objetivo de discutir questões médicas, reflexões pessoais e outros devaneios.
sábado, 13 de julho de 2013
Eu e Outro
terça-feira, 18 de junho de 2013
Primavera Brasileira?
As ruas do Brasil tornam-se palco de uma nova transformação.
Seria um momento histórico marcado pelo levante popular contra as injustiças
que há muito incomodam a nação brasileira sem, de fato, acordar às massas? Nas
últimas décadas a sociedade do consumo e a grande imprensa, comprometida com os
interesses das classes favorecidas economicamente, entorpeciam a população com
telenovelas e espetáculos esportivos. Entretanto, emerge, neste século, um novo
arma de informação e mobilização: as redes sociais. É hora, então, de lutar
contra as mazelas que os grandes insistem em nos omitir e por fim à injustiça
que, até agora, aceitamos imóveis.
O aumento nas tarifas de ônibus foi o catalisador deste
levante, não a causa principal. Não existe, na verdade, uma causa principal.
Luta-se contra fatores intoleráveis na politica, na economia e na sociedade
brasileiras. Não é um movimento atrelado a partidos, como pretende a direita
podre e elitista ou a esquerda radical. O que se pretende é criticar o sistema
e moldá-lo de forma a construir uma sociedade mais justa. O que se quer é uma
imprensa menos parcial; um Estado laico, avesso a qualquer tipo de intolerância;
o fim da impunidade à corrupção ( não às PEC’s 33 e 37); um transporte público
de qualidade; mais investimentos em educação e saúde; maior preocupação em
relação às questões ambientais em contraposição ao desenvolvimento a qualquer
custo. A população brasileira não precisa de mais estádios, precisa de
oportunidades. Sim, é inegável a evolução econômica e social do país nos
últimos anos, mas queremos e merecemos mais!
Devemos, no entanto, estar cientes de que, ainda que de
forma sutil, alguns grupos políticos tentarão distorcer o movimento
transformando-o em uma revolução para destituir o governo, quando, na verdade,
não é esse o objetivo. Lembremo-nos que uma mobilização popular em 1964 foi
utilizada pelas elites e pela grande imprensa para pôr fim ao governo de João
Goulart, o que serviu como base de apoio para a implantação da ditadura
militar, um dos períodos mais tenebrosos da história brasileira. Por isso, protestemos,
mas fundamentados em bases críticas para que não continuemos como sempre fomos,
acéfalos manipuláveis pelos interesses dos grandes (em termos econômicos),
aqueles que de fato mandam no mundo... E no Brasil.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
O existencialismo cristão
Jean Paul Sartre foi um filósofo renomado do século XX, que
presenciou grande parte das maiores atrocidades que o ser humano foi capaz de
produzir ( duas grandes guerras, sistemas repressores e ditatoriais de direita
e esquerda, genocídios e outros crimes dos quais a humanidade deveria se
envergonhar). Ele desenvolveu um pensamento maravilhoso, no entanto, partiu de
uma premissa com a qual não sou capaz de concordar: Deus não existe.
Para ele o ser humano não é como todas as outras coisas, nas
quais a essência precede a existência, ou seja, os objetos já são criados com
um objetivo, uma finalidade, como uma tesoura que é produzida para cortar papel
e, desde antes de sua existência possuía essa finalidade. A humanidade não, ela
primeiro existe, para, em seguida, ser definida por si mesma. Assim, nós, seres
humanos, somos responsáveis por nosso próprio projeto de vida, nossas escolhas,
atitudes e os efeitos delas. Por isso, não podemos culpar aos outros, ou a um
Deus, que para ele não existe, pelos fracassos ou vitórias em nossas vidas,
visto que somos, desde o nascimento, condenados à liberdade e somos livres,
ainda que não saibamos, pois o que nos ocorre hoje é, de alguma forma, fruto de
nossas escolhas.
É possível, no entanto, chegar às mesmas conclusões sem
contestar a existência de um Deus, uma força maior e melhor do que nós, ao
afirmar que essa força, ao criar a humanidade, fez algo diferente... Algo
autônomo, capaz de definir-se e encontrar seu próprio lugar no mundo... Algo
livre por si mesmo e, de tal forma condenado à liberdade, que é um crime culpar
às circunstâncias por qualquer mazela que seja. Pelo contrário, se há coisas
inaceitáveis no mundo, cujos exemplos são quase infinitos, é por que nós, seres
humanos, de alguma forma permitimos e é nosso dever lutar contra elas.
Partindo do mesmo princípio, de que Deus fez-nos livres,
seria inconcebível a ideia de pecado, como algo proibido por Ele. Substituamos,
portanto, “pecado” pelo conceito de causa e consequência, ou seja, não somos
punidos pelo Ser Superior por nossas falhas, mas, simplesmente, temos diante de
nós as consequências de todo e qualquer ato que desempenhemos. Dessa forma
somos o que fizemos de nós e seremos o que fizermos de nós.
Nesse contexto, seria infundada a intolerância, principalmente
quando a ideia de Deus é utilizada como base para julgar os atos alheios, porque
não há um Deus intolerante, há um Deus bom, criador de uma lei justa, na qual o
que homem é seus próprios atos. Que perda de tempo, então, julgar alguém pela
cor da pele, orientação sexual, gênero, etnia, religião, partido político, time
de futebol, aparência física... Pois não temos esse poder, o que pune os indivíduos
é sua própria liberdade!
Alguém, entretanto, poderia discordar de minhas conclusões
ao exemplificar qualquer mazela que acompanhe um indivíduo desde o nascimento.
Eu, nesse caso, responderia com outra pergunta: Seria a vida humana uma existência
finita, contida em um curto espaço de tempo? Pouco provável, se procurarmos
entender a criação de uma forma mais ampla e complexa. Assim existiria,
indubitavelmente, um momento anterior ao nascimento e outro posterior à morte.
A maioria de nós desconhece ambos, mas, exatamente por isso, não há quem possa
dizer com propriedade que não exista. Assim, seria aceitável a proposição de
que essas moléstias congênitas são efeitos de causas desconhecidas, anteriores
à vida material.
Pede-se dizer, então,
que somos livres, nascemos livres, morreremos livres, seremos livres após a
morte como o fomos antes do nascimento e desde a criação!
quinta-feira, 9 de maio de 2013
O destino de todos...

Sem querer tendemos, ao longo da vida, a negar a morte dando-lhe uma aparência tenebrosa, como nas lendas que nos fazem acreditar desde a infância. Ela, desse modo, parece-nos um monstro assustador, sempre distante de nossa felicidade, porque, geralmente, essa felicidade está vinculada à vida do corpo. Acontece, que os luxos e prazeres da vida não nos trazem felicidade, nem nos torna imortais, mas quando nos damos conta disso, a morte está aqui ou ali, mais perto de nós do que podemos imaginar.
O que é a morte? Seria o fim ou, apenas, o desconhecido? Tal
resposta, sempre vinculada a princípios religiosos, aperta o peito até mesmo do
homem mais convicto de sua fé. Entretanto, inegável é a existência de um ser
superior, independentemente do nome que se dê a ele. Inegável também é o fato
de que nossa existência material tem um objetivo maior do que podemos
compreender e o fim dela não é necessariamente o fim.
Essa ideia é, com certeza, um conforto a mais para aqueles
que se queixam da perda de um ente querido, mas é, principalmente, uma
constatação lógica, ainda que os ateus discordem. Deus está presente na
perfeita harmonia do universo, de partículas subatômicas a galáxias inteiras.
Cada átomo, por menor que nos pareça, tem função na composição de partículas
cada vez maiores até à conformação de íon ou moléculas indispensáveis à ordem.
Esse ser superior que nomeamos de formas diversas se faz
parte integrante de tudo o que conhecemos ou que conheceremos. A partir dessa
perspectiva, é possível estabelecermos que a ordem regular das coisas dá-se por
meio de leis transcritas, não nas sagradas escrituras, mas no material gênico de
cada
ser vivo ou na conformação iônico-molecular dos seres “não vivos”. O sofrimento,
dessa forma, tem origem na não compreensão dessas leis universais ou,
simplesmente, na transgressão delas.
Não trato aqui da rigidez com que se pretende
abordar certos “princípios” religiosos como se tivéssemos autoridade para
julgar os atos alheios, mas de uma abstração interior, necessária para que
entremos em contato com nossa essência e compreendamos as leis morais que
devemos seguir para obter uma harmonia externa, independentemente do que somos,
da forma como amamos, da cor da pele de nossos corpos materiais. Então, somos
capazes de compreender o que somos e porque vivemos. Vivemos, estamos em nossos
corpos, em tais circunstancias, pelo simples fato de aprimorarmos nossa essência
imaterial no sentido de ser, cada vez mais, a imagem e semelhança do criador.
Aqui, nessa fase transitória de nossa vida real, fazemos vínculos que não são
desfeitos ou curamos chagas que provocamos em algum momento.
Dessa forma, a morte é, simplesmente, a ruptura com a materialidade.
Não passa de uma simples transição à qual todos que estão neste planeta estarão
submetidos, cedo ou tarde. O que fazer, então, diante da saudade desmedida de
quem se ama? Paciência, que, nesse caso, é sinônimo de fé. A fé naquele que é
maior, melhor e mais sábio do que nós e que, com certeza, possibilitará, em
algum momento, o reencontro entre nós e os entes queridos, pois, o destino de
todos é, independentemente do caminho que se tome, a perfeição e o encontro com
o próprio Deus .
domingo, 7 de abril de 2013
Nadar contra a corrente e crescer
Quero começar com uma comparação. Com certeza você, meu leitor,
já ouviu algo sobre a piracema.
A verdade é que na piracema os peixes nadam contra a
corrente para se reproduzir na nascente, um ambiente mais seguro da ação dos predadores
e com uma maior quantidade de alimentos disponível. É, no entanto, o estresse
provocado pelo ato de nadar contra a corrente que promove o amadurecimento
reprodutivo desses peixes, ou seja, trata-se de um processo de
amadurecimento... Um processo...
Em nós, seres humanos, isso também ocorre. Nós nadamos
sempre contra a corrente, cada um de nós a sua maneira. No final, nos percebemos
mais maduros, não sexualmente, mas moralmente.
Trata-se de um processo exclusivamente pessoal, o qual
outras pessoas não seriam capazes de compreender na mesma intensidade, ainda
que sejam incluídas pelo amor que têm por nós ou pela simples vontade de governar
as nossas vidas. Cada um tem suas necessidades de reforma íntima, suas verdades
incondicionais e seus porquês. Mas cabe a nós a escolha entre promover essa
reforma moral ou se utilizar das mazelas que nos atingem para justificar a auto
piedade, ou ainda embrutecer, culpar o destino e as pessoas e espalhar o amargor
pelos ambientes em se passar... É uma escolha.
Não é tão simples perceber os fatos dessa maneira. É
preciso, primeiramente, fazer uma análise interior, buscar em si as causas do
mal. Então, encontrar dentro de nós aquelas características que escondemos dos
outros, que nos fazem frios, egoístas, preconceituosos, arrogantes...
Você poderá dizer “eu não sou assim”, mas todos nos o somos
em maior ou menor grau, consciente ou inconscientemente.
Mas o que é correr contra a corrente? É enfrentar os
obstáculos da vida e suportar as situações desagradáveis. Mais do que isso, é
aprender com elas e se tornar a cada dia alguém melhor que se poderia ser
quinta-feira, 21 de março de 2013
Sobre atitudes e situações...
Um dia eu pretendo descobrir qual é o verdadeiro sentido da
vida. Seria essa busca desenfreada por coisas tangíveis ou os ganhos imateriais
obtidos ao longo do caminho? Longe de ser uma pergunta retórica, essa questão
me faz refletir se vale mesmo a pena dar tanto valor as desnecessidade que
julgamos necessárias. Angústias, medos, decepções... Quem nunca sentiu algo parecido?
E aquela inveja que nos recusamos a chamar como tal, mas fica retida na
pergunta “porque ele e não eu”? E o egoísmo, que não chamamos assim, em sofrer
pela perda ou não ganho de algo ao qual atribuíamos muito valor, emocional ou
material? Vale mesmo a pena se lamentar?
NÃO
Toda lamentação é tempo perdido. Tempo esse, que seria muito
melhor empregado em procurar novas chances, novas oportunidades, novos
caminhos... Novas virtudes... Novas ideologias... Novos métodos... Novos lugares...
Novos méritos
Então, a vida se mostra muito mais receptiva e perdas se
transfiguram em ganhos até que descubramos que a vida é feita para vencermos, não
materialmente, mas moralmente. Cada derrota é uma vitória, se bem utilizada. Se
com ela vier o aprendizado, o crescimento moral, intelectual ou até físico...
Enfim, não vale à pena sofrer na dor, ainda que ela nos pareça inevitável, pois
cada queda nos abre a uma nova oportunidade de vitória.
O problema da geração atual, ou de todas as gerações que
conhecemos, é não saber ver além do momento presente ou se apegar
demasiadamente às coisas transitórias se negando à certeza de que tudo o que é
material é transitório. Se o homem pudesse abstrair e observar sua própria vida
por um ângulo externo a ela, caso fosse possível, compreenderia a necessidade
de todas as situações, que se encaixam perfeitamente às nossas necessidades
imateriais.
A verdade, meus amigos, é que tudo tem um porquê, ainda que
complexo, abstrato ou escondido. Isso não elimina nosso livre arbítrio ou nossas
responsabilidades e renego veemente qualquer ideia que se utilize do termo
destino para justificar as consequências de seus atos e se livrar de qualquer culpa...
Não! Não é isso... O que quero afirmar é que algumas situações independem de
nossa vontade e devemos saber como lidar com elas, pois é isso o que faz a
diferença.
domingo, 17 de março de 2013
Sobre a esperança...
Uberlândia, 17 de março de 2013...
“Hoje talvez seja um
bom dia para escrever no blog”... Realmente... É um bom dia.
Quero falar aqui da esperança que me atinge
inconscientemente de que um novo mundo está surgindo. Percebo que, ainda que muitos
se apeguem às velhas formas de pensar, que os herdeiros do misticismo
irracional, das leituras deturpadas da bíblia e do fundamentalismo, tomem
postos influentes no governo, o pensamento racional é predominante entre a
população.
Sinto, pelos que se
apegam à forma irracional de pensar e, esquecendo-se das palavras do Mestre
diante da mulher adultera, insistem em julgar os que pensam diferente de si. Mesmo
assim, as contestações ao velho brotam de todos os cantos, sem que se possa
conter. Felizmente, a grande maioria se escandaliza diante de afirmações racistas
e homofóbicas dos que tentam corromper a massa interpretando negativamente o
Homem cujas palavras nortearam a moral do ocidente.
Um latino americano herda o trono de Pedro e fala em
caridade usando o nome de um dos maiores homens da história da humanidade. Um
trono impregnado de corrupção, que, por muito tempo, comandado pelos
fundamentalistas como os que hoje se inserem no governo brasileiro, insuflou
massacres bárbaros que passaram para a historia como “ guerras santas”.
Não há nenhuma fé melhor que a outra, amigo leitor, e tentar se impor sobre o que pensa diferente é uma violência sem tamanho. Assim, muitos de
nós ainda estamos escravos de nossas próprias concepções, enquanto o mundo pede
que mudemos, aceitemos a diversidade e
lutemos pelo direito de quem precisa ser diferente. “ Não é sinal de saúde estar
incluído em uma sociedade doente”, mas ainda credito na cura.
É impossível não citar a brutalidade com que os homens, mulheres e crianças foram trazidas da África e, como animais, obrigados a compor a base de uma sociedade estática e cruel, poque ainda hoje suas crenças, de uma riqueza cultural inquestionável, são alvo de severos julgamentos por parte daqueles que, com a pretensão de serem os escolhidos de Deus, julgam-nas contrárias às leis do Cristo. Contrário à lei do Cristo é a intolerância.
É impossível não citar a brutalidade com que os homens, mulheres e crianças foram trazidas da África e, como animais, obrigados a compor a base de uma sociedade estática e cruel, poque ainda hoje suas crenças, de uma riqueza cultural inquestionável, são alvo de severos julgamentos por parte daqueles que, com a pretensão de serem os escolhidos de Deus, julgam-nas contrárias às leis do Cristo. Contrário à lei do Cristo é a intolerância.
O homem muda com o tempo e o mundo muda com o homem. O progresso
científico é inquestionável, mas para quando adiaremos o progresso moral?
Metade do homem é sua própria consciência, a outra são os
fundamentos impostos pela sociedade para o “bem viver”. Parte desses
fundamentos garante a ordem na sociedade, a outra oprime as particularidades.
Como diferenciá-las? Como saber o limite entre prudência e preconceito? Não
julgar é a melhor saída, por que cada um é guiado pelas próprias concepções de
mundo e nenhuma concepção é melhor do que a outra.
Para Natanna Kessia Nunes Gomes, que me pediu para escrever algo nesse blog, já quase esquecido.
Para Patricia Ferreira Silva, que carrega no ventre um
pedacinho da esperança do Novo mundo.
Para Pedro Paulo
Ferreira Silva e Melina Lorraine Ferreira, que há dois anos e dois dias
compartilharam comigo o marco fundamental para o meu amadurecimento.
Para os meus pais, o apoio incondicional.

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