sábado, 17 de maio de 2014

As palavras não ditas e os Mundos não vistos...


São momentos corriqueiros, conversas ou debates em que você se vê fingindo concordar com opiniões que divergem totalmente da sua só para não fugir da modelo simplista, mediano e, às vezes, preconceituoso. O que você teme? Ser julgado por não julgar?
Nos meus tempos de escola, a diversão de alguns dos meus colegas era humilhar com suas piadas um colega deficiente. Nunca concordei com tudo aquilo, mas guardei comigo como se discordar fosse um crime... Ainda guardo, com a certeza de que eu poderia ter feito algo.
Hoje eu compreendo o quanto fui egoísta e como poderia ter contribuído mais com o mundo sendo eu mesmo e admitindo que nem sempre o que a maioria acredita ser certo o é de fato. Mas continuo agindo assim, continuo a me omitir dos assuntos polêmicos por medo de gerar antipatia. Muitas vezes, eu escondo o que eu penso e com isso deixo que pessoas fora da conversa se ofendam com os comentários que eu respondi com o silêncio... É como se eu concordasse com eles. E assim vou concordando com o mundo do jeito que está. Indiferente à mediocridade e permitindo que ela se sobressaia.
NÃO!!!! Não é isso que eu vim fazer no mundo...  
Às vezes a vida cobra de nós uma atitude. Palavras ditas em tons diversos... Ainda que em um sussurro... Mesmo que você vá se arrepender depois... É preciso dizer o que pensa. Não falo aqui das pessoas que confundem grosseria com sinceridade, falo de ser sincero consigo primeiro e transmitir isso aos outros, sem medo... Quem nunca julgou alguém? Quem nunca foi julgado? Por que ter medo do que pensam? Por que ter medo de se contrapor ao pensamento alheio? O Maior dos homens não nos disse para não esconder a candeia sob o alqueire? Sim, Ele disse que de nada adianta ter a luz dentro de si se ela fica oculta.
 O medo de não ser aceito é o pior dos inimigos de quem tem algo a dizer, mas sempre haverá quem discorde e quem se contemple com cada sílaba do que você disser... Apenas diga e se o outro tiver um argumento melhor, aceite. Mude de opinião quantas vezes for preciso, desde que isso te faça alguém melhor... Desde que isso amplie seu mundo e ele se torne maior... Só não se cale e não aceite opiniões menores que as suas, de mundos menores... Não ofenda, nem se deixe ofender pela pequenez dos outros, pois, ao mostrar a ele seu mundo, ele pode crescer também ou mostrar outro argumento para que ambos cresçam juntos...
Cada um traz consigo uma mala cheia de objetos acumulados dos caminhos pelos quais passou... Eu trago sorrisos, lágrimas, poemas, medos, músicas, livros, pessoas, lugares... Esse é o meu mundo e disso se faz meu pensamento, minhas opiniões e aptidões. Quando tudo isso choca com objetos de outros mundos só pode haver crescimento, desde que nenhum dos lados se prenda a pré-julgamentos... Desde que ambos estejam dispostos a ampliar seus mundos...  

sábado, 22 de março de 2014

Nem única, nem eterna... Só bonita


 
Muitos meses se passaram e eu ainda acordo com a sensação de estar sonhando. Muita coisa aconteceu...  
Como o astronauta que eu quis ser, fiz minhas malas e parti para o Espaço. Guardei na bagagem minha velha vontade de mudar o mundo, mas deixei lá no fundo um espaço vazio. Eu sabia que a cada passo nessa estrada o pingo de saudade que havia ali se tornaria maior. Hoje, é infinita, mas isso não me entristece... Sei que só se pode ter saudade de algo que, ainda que por um mísero instante, nos fez feliz. Por isso, o tamanho da minha saudade só reflete a quantidade de momentos em que sorri nessa minha vida curta. Sim, guerras de barro, jabuticaba no pé, correr das ondas e o “pium pium”... Abraço apertado de pai, colo de mãe, meu irmão fingindo que morreu, minha irmã dizendo que sou adotado, o chorinho do bebê... Meu nome brilhando naquela tela, não em uma lista... E os irmãos que fiz ao longo do caminho, foram poucos, reconheço, mas são para sempre? E o momento em que eu disse “Eu te conheço de algum lugar?”... Será que eu de fato a conhecia a conhecia? E as derrotas? E os tropeços? E o que o aprendi? Sim... Se há uma coisa que eu não posso negar é que fui e sou feliz, fui e sou amado e é essa a fonte da minha saudade, como é também a fonte da minha felicidade...
Dias como hoje, em que a chuva te prende entre as paredes de um lar desconhecido e se quer regredir à infância sempre vão existir... Se eu fechar os olhos sei que posso ver... É a cozinha da minha velha casa. Meu irmão, na mesa, tem olhos pidões para o fogão e minha irmã meche a calda do bolo de chocolate enquanto minha mãe lava a louça. Ouço a TV ligada. É meu pai que cochila vendo o jogo de futebol... Passo um pouco a roda do tempo, mas ainda é sábado e ainda chove. As luzes do cinema se apagam lentamente, o filme vai começar, mas eu não quero ver o passarinho azul que canta em português, prefiro o reflexo dele nesses olhos verde-azuis... “Avise quando for me olhar!”, “Estou te olhando!”...
 Mas se há uma coisa nessa vida da qual não posso discordar é que tudo o que material é passageiro... Momentos, lugares, pessoas... Há, no entanto, uma forma de torna-las eternas... É guardar tudo isso de forma imaterial lá no fundo de si mesmo, carregado de sentimentos para que nunca se dissipe... Fica na memória e, mesmo que a própria memória deixe de existir, há sempre algo no inconsciente que lhe diz: Eu conheço de algum lugar... É impossível esquecer o que nos fez feliz, mas é burrice querer que tudo volte a ser como era, se a vida lhe mostra outros caminhos. Apego não é saudade. A saudade é a lembrança boa, que revigora e estimula a continuar. O apego não faz bem a alma nenhuma. O que faz bem é a liberdade, o prazer de acrescentar novos vínculos, novas memórias, novas histórias para contar... Guardando sempre os velhos motivos para sorrir e não há motivo mais belo do que a gratidão por estar vivo. Sinto por ter perdido momentos e oportunidades de sugar o melhor dos melhores momentos da minha vida por não saber o quanto, em sua simplicidade, eles seriam eternos... Sinto por não ter prendido entre os dentes o pão de queijo da minha mão para sentir o gosto por mais tempo... Fui guloso e comi de uma vez, porque queria logo que o tempo passasse... Que imaturidade a minha, pois o tempo vai passar de qualquer jeito, apesar ou contra a minha vontade e não há nada que eu possa fazer além de viver os momentos da melhor forma possível... Mas há sempre a chance de começar a agir e reconhecer que não se pode controlar o tempo, que algumas situações são inevitáveis, que nenhum instante acontecerá outra vez e apreciar a vida, não como se fosse única, nem como se fosse eterna, mas com a sabedoria de quem quer levar consigo o melhor de tudo o que houver em seu caminho.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Dividindo lições...


Há algum tempo, tenho comigo a reflexão que agora pretendo dividir com você, leitor... Sou muito jovem ainda para dizer o que aprendi com a vida. Direi mesmo assim, mas peço perdão se em algum momento em meu futuro eu me contradizer agindo de forma oposta. Não, meu amigo, não será hipocrisia. É que, como o grande Raul, sou uma metamorfose ambulante e prefiro ser assim que me prender demasiado às velhas opiniões, aos conceitos mortos e ao medo de ir contra o que eu acreditava há um segundo. Já mudei muito minhas opiniões e ainda pretendo mudar ao rever minhas atitudes, meus medos, meus defeitos...
Eis a primeira das coisas que aprendi em algum momento dos milhares de anos que cabem nesses vinte dois: Certas dificuldades nos preparam, simplesmente, para, no momento certo, lidarmos com responsabilidade diante das conquistas. Por isso, quanto mais forte você tiver de ser, com mais maturidade assumirá grandes postos e maior será sua alma para receber as coisas realmente boas da vida.
Aprendi também que é sempre importante assumir os próprios erros... Aos outros e a si mesmo. Isso é fundamental para a reparação desses equívocos e, principalmente, para limpar o caminho em torno de si e recomeçar. Recomeçar... Deparo-me, então, com outra grande lição: O recomeço... Ahh quantas vezes tive de recomeçar nos meus vinte e poucos anos... Encontrar forças para me recompor, traçar novas metas e transpor obstáculos dos mais diversos... A coragem é outra lição. Ela não nasce com os homens, como a maioria dos sentimentos, mas surge neles quando se percebe o quanto é inútil fugir porque certas situações nos perseguirão onde quer que formos até que as enfrentemos. Quando o fiz, ganhei marcas que me fizeram forte o suficiente para enfrentar as próximas batalhas com um sorriso no rosto. (mais uma lição) O sorriso é a arma mais poderosa que um ser humano possui... É ele que, das conversas banais às grandes negociações, destrói as montanhas da indiferença e converte qualquer sentimento em empatia. Não há face carrancuda que não se desmorone diante de um sorriso sincero e um gesto polido.
Há ainda algo que aprendi... O que fizer pelos outros, meu amigo, faça de coração. Jamais espere algum reconhecimento, pois qualquer consideração se vai quando o primeiro dos seus erros se tornar evidente. Há pessoas que ocupam muito mais seu pensamento com julgamentos que com a gratidão. Ainda assim, nunca deixe de fazer algo pelo outro! Não vai ser por ele realmente que o fará, ainda que pareça egoísta, fará por si mesmo. É que a paz interior que se obtém ao ajudar alguém é inigualável. Se toda a humanidade conhecesse esse prazer, o bem seria o maior dos vícios.  
Descobri também que a melhor forma de se levar a vida é realmente acreditar que “vai dar tudo certo”. Minha terapeuta tinha o costume de citar algum pensador, cujo nome não me recordo, e repetir a seguinte frase: Nem tudo está bem, mas está tudo certo. Não se trata de conformismo. Na verdade, é a única forma que conheço para continuar lutando por algo aparentemente impossível sem sofrer desnecessariamente, porque sofrer é uma escolha. Sei, meu amigo, que a auto piedade é um vício inconsciente para a maioria de nós. Quem nunca incrementou um problema com uma dúzia de detalhes imaginários só para sentir pena de si mesmo e dizer aos outros “Ah como eu sofro”? Acontece que esses detalhes imaginários podem se tornar reais, porque temos o maldito hábito de acreditar nas nossas próprias mentiras se as repetirmos muitas vezes. Então, somos alvos fáceis para uma dezena de mazelas mentais. De verdade, não queira estar nessa mira!
Há ainda algo a dizer... Faça o que puder para nunca magoar as pessoas, principalmente as que nunca te magoariam. Mas, se isso não for possível, não se deixe levar pela culpa. Seja sincero e humilde o suficiente para desculpar a si mesmo, pedir perdão ao outro e aprender com os próprios erros.  Ignore o rancor alheio, mas saiba reparar o mal cometido quando a vida lhe cobrar tal atitude. Se for você quem receber uma ofensa, perdoe... Só se sabe o tamanho da alma do ofendido quando ele é exposto a um pedido de perdão.
Diga bom dia a um desconhecido, ao menos uma vez... Não perca uma oportunidade de abraçar ou demonstrar o carinho que tem por alguém, pois não se sabe até quando essa pessoa estará por perto...
Por fim, esteja sempre disposto a aprender com a vida, visto que ela não faria sentido algum se morrêssemos como nascemos, ou nascêssemos como morremos, pois as vidas são belas escolas.

O resto do texto ainda não pode ser escrito, pois o aprender não tem fim e nunca terá... Mas, se nossa alma cresce a cada nova ideia, pode-se dizer que ela também será infinita, desde que nos permitamos a aprender.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

O que te trouxe até aqui?




Escrevi esse texto para tentar convencer os meus calouros a aderir a um projeto apresentado a eles no inicio do curso, mas dei tanto de mim a essas palavras que eu não pude deixar de publicar aqui. Devo avisar que o que está escrito aqui não é para todos vocês (infelizmente)... Escolhemos nossas profissões por diversos motivos. Todos eles merecem respeito, mas eu dedico as palavras seguintes para aqueles de vocês que, como eu, um dia quiseram ser super-heróis.
Quando criança eu queria ser como o Super Homem, o Batman, o Homem Aranha ou como todos eles... Sim, eu queria voar pelos ares, ser forte e inteligente como eles e ter sempre uma bela donzela em perigo gritando alucinadamente por mim. Apesar disso, eu queria, principalmente, fazer a diferença na vida das pessoas.
Mais velho, procurei entre as profissões aquela que mais me aproximasse disso e, ainda que tudo me levasse a desistir, eu não via outro caminho a seguir. Foram muitas pedras no caminho... Em uma delas tropecei, quase cai e me esqueci, por um tempo, o que me trouxera até ali. Afastei-me de todas as pessoas, exceto daquelas que me amavam o suficiente para nunca me abandonar. Em meio a essa busca quase sem sentido, eis que venci. Vi, finalmente meu nome escrito naquele site... Não era bem uma lista, como imaginei, mas meu nome estava ali... A partir daquele instante fui bombardeado de pessoas e sorrisos desconhecidos e um convite quase assustador. Por que aceitei? Porque eu sentia a falta do mundo que havia abandonado por causa daquela maldita pedra e tinha dentro de mim a ansiosa vontade de recomeçar.
Lá, naquele lugar tão mágico, tive um encontro maravilhoso com meu eu pequeno...  Ele me perguntava: “O que nos trouxe até aqui?”. Eu, em pensamento, respondia: “Pessoas... O amor que eu sentia por elas... A vontade de fazer algo mais...”. Eu, então, senti, mais que nunca, a certeza de estar no caminho certo... Agradeci a Deus por não ter permitido que eu desistisse... Senti que todas as pedras valeram à pena para que eu estivesse ali, naquele instante, diante de mim mesmo.
Eis que retornei à Brasília sorrindo de uma orelha a outra e disposto a uma nova vida. Na primeira semana fui o calouro mais insano, ou um deles... Então o semestre começou de fato e vi alguns de meus colegas se matando por um SS e não consegui, como ainda não consigo, ver sentido algum nisso. ( Se você, como eu quando entrei na faculdade, ainda não sabe o que é um SS, substitua por um 10 nos tempos de ensino médio). De verdade, eu me decepcionei com meu curso... Não que eu esperasse uma matéria chamada “Como salvar o mundo em 24 horas”, mas eu não imaginava nossos pacientes mortos pudessem ser tão frios, nem que era tão desinteressante decorar, simplesmente decorar,  nomes e funções de cada minúsculo pedaço  deles. Foram noites e noites de estudo, muito mais que no ensino médio ou cursinho... Só continuei por que havia conhecido a parte humana do meu curso, uma semana antes das aulas começarem... Só continuei, continuo e vou continuar sempre, porque aceitei aquele convite.
Naquele lugar percebi, ainda que uma parte de mim já soubesse disso, que pacientes são muito mais que sua doença. Não importa que caminho eu vá seguir quando eu me formar, mas nunca pretendo me esquecer de como lidar com seres humanos, porque para isso é preciso também ser humano.

O que acontece nos dias de hoje é que médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos e outros profissionais da saúde se esquecem de que seus pacientes não são mais os mortos gelados dos primeiros períodos e continuam a tratá-los como tal ou, pior que isso, eles tratam essas PESSOAS como partes dos defuntos mortos. As partes doentes... Esquecem-se de perguntar o que de fato as levou ao tal consultório ou o que levou os próprios profissionais até ali. Falta lembrar que somos integralmente seres humanos e tudo em nossas vidas influencia para o quadro geral de saúde ou doença. Falta o interesse em conhecer aqueles indivíduos em sua vida diária... Falta fazer a diferença... Acontece que não é preciso ter poderes para ser um herói, basta ter a vontade de ajudar alguém.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O que o rio não leva...


Não é a primeira vez que deixo de escrever por um tempo. A verdade é que sempre retorno quando sinto a necessidade de falar sobre algo.

Nos últimos meses, com o sonho realizado, quase não tive tempo para pensar ou escrever... Minha vida era um turbilhão de novidades em que as situações se alternavam sem que eu tivesse tempo para refletir ou dividir meus pensamentos. Minha energia esteve voltada para questões mais técnicas como decorar nomes, examinar corpos inertes, fazer amigos... Mas hoje, quando a tarde terminava, parei pra pensar de novo na minha vida e resolvi contar mais um sonho.

A minha vida, como a sua, leitor amigo, é um eterno devir... Como dizia Heráclito, filósofo grego que conheci nos meus tempos de vestibulando, ela é um fluxo sem fim de coisas, momentos, pessoas, lugares... Mas, como dizia Platão (outro que conheci na mesma época) só a vida material é assim, uma realidade abstrata e transitória da qual pouco levamos além do que nós aprendemos, dos afetos verdadeiros e das boas lembranças. O resto segue com o rio que nos banha, aquele que deixa de ser o mesmo ao passar por nós  

Os aprendizados, na maioria das vezes, nos vêm pela dor... Quanto maior e mais profunda essa sensação, mais intensa a reflexão dos maus passos que nos feriram. Então, recomeçamos e seguimos outra direção, ou a mesma para sofrer repetidas vezes até, finalmente aprendermos o que nos faz e o que não nos faz feliz. Quantas vezes é preciso errar para aprender a fazer a coisa certa? Cada um tem seu próprio tempo.

Os afetos verdadeiros, tão raros quanto intensos, são os que conseguem despir-se dos apelos materiais, do apego, do ciúme, do orgulho, da inveja, da vaidade, do egoísmo e de todas essas sensações tão baixas quanto transitórias. É, principalmente, sentir-se feliz com a felicidade do outro.

Por fim, ficam as boas lembranças... Vi em algum lugar que a saudade é um privilégio, pois só a sente quem já viveu coisas boas o suficiente para não saber esquecer. A sabedoria, no entanto, está em deixar ir, não fazer das lembranças uma prisão. O agora é o único momento que vale à pena ser vivido... Ainda assim, as lembranças, quando boas, deixam mais leves as vivências futuras. Quando más, elas nos levam a cultivar um futuro mais rico em boas emoções.

Sendo assim, o que é a felicidade? É a busca de coisas eternas, como diria o velho Platão? Pode ser... Mas tenhamos em mente as lembranças dos momentos passageiros também são eternas. Alimentar nosso ser interior e distinguir o verdadeiro do falto é mais que importante para vivermos bem, mas, vez ou outra, é preciso que nos permitamos a viver como os homens do nosso tempo e alimentemos também o nosso corpo. Essas, desde que na justa medida, são excelentes oportunidades de ampliar nossos afetos e povoar nossa memória de momentos inesquecíveis e, de tal forma, eternos em meio ao devir que chamamos vida.

 Mas cada um tem seu tempo e carrega dentro de si as verdade de que precisa para ser feliz. Elas ficam escondidas em algum lugar lá dentro até que chega a hora do grande encontro de si consigo.

domingo, 29 de setembro de 2013

A pequenez e a esperança


 
 
Por que será que a pequenez humana sempre me surpreende. A sociedade atual é movida por estereótipos. Assim, roupas, bens, etnia, cor da pele, religião, orientação sexual, cor do cabelo, peso e etc, são motivos o suficiente para que seja estabelecido um perfil de personalidade, nada confiável, por sinal, pois é baseado apenas na visão limitada e preconceituosa que a maioria de nós insiste em manter. Entretanto, caro leitor, não há definição para seres humanos, visto que, a partir do instante evolutivo em que se tornaram racionais, passaram a ser capazes de definir a si mesmos.
É certo que as características podem contribuir para a formação das personalidades ou refletir certos traços individuais, mas nunca seriam capazes de, sozinhas, definirem um ser por serem apenas características.
Acontece, que diante da diversidade de formas, regras e opiniões, a maioria de nós ainda insiste em ser inflexível. São raras, nas discussões corriqueiras, as tentativas de modificar-se e tomar o ponto de vista alheio, ainda que como teste, questionando o próprio modo de pensar. É fácil assimilar os padrões da maioria e não há nada de errado nisso, exceto quando eles atingem o ponto de ferir o diferente verbal ou fisicamente.
Há alguns dias, eu voltava para casa, com meu extinto cabelo verde de calouro, quando fui abordado de uma forma nada educada por um grupo de policiais. Reviraram meu carro, minha mochila e meus bolsos, pediram meus documentos e, no meio deles, meu comprovante de matrícula.  
_Você faz medicina?
_Sim.
_UnB?
_Sim
_Calouro?
_Sim.
Ele então apontou desconcertado para meu cabelo verde e ainda perguntou:
_Foi trote?
Dessa vez, eu apenas abanei afirmativamente com a cabeça e eles me deixaram ir. Depois, fiquei pensando na pequenez daquele comportamento. Por que eu seria suspeito de algo simplesmente por ter cabelo verde? Por que eu seria inocente por ser estudante de medicina? Nenhuma dessas características me define como pessoa, porque,como você e o resto do mundo, caro leitor, eu sou o conjunto das experiências que acumulei ao longo da minha existência  e o que aprendi de positivo ou negativo com elas. Sou um pouco de cada pessoa com que conversei, porque cada palavra me acrescentou algo, mesmo que eu ainda não tenha a consciência exata de o quê.
Ainda assim, tento imaginar quando os padrões sociais deixaram de se voltar para aspectos tão vazios do ser humano como a cor da pele, a quantidade de recursos econômicos, os princípios religiosos superficiais... e passaram a valorizar moralmente o indivíduo instigando-o a ser ético, responsável, caridoso, gentil, respeitoso...
Uma amiga, que também estava de cabelo verde, teve uma experiência parecida e espero que ela não se importe que eu reflita sobre isso também. Quem a julga pela cor de seu cabelo não a merece, foi o que ela disse... Concordei e, com meu jeito introspectivo, pensei que quem julga os outros por suas características superficiais, todas elas, não merece receber a indignação. Esses, não merecem sequer nossa atenção sincera, devido à pequenez de seus atos e suas motivações.
Por isso, meu amigo, cuidado ao julgar alguém pelos atributos visíveis aos olho... Se há uma certeza na vida, é que ela é extremamente dinâmica.  As situações se alternam de forma incrível, ou assustadora. O fato é que nada impede de um dia estarmos envolvidos nas situações que condenamos ou internamente inclinados para as coisas que tanto julgamos. Então, percebemos de fato a pequenez dos julgamentos para, quem sabe, aprendermos a agir de forma diferente... Nem sempre aprendemos, mas, ainda assim, tivemos e temos todos os dias a oportunidade de agir diferente. Agiremos diferente, um dia, e, como os adultos que riem das traquinagens que cometia na infância, debocharemos de nós mesmos pela nossa pequenez... Quando, enfim, evoluirmos a ponto de admitir que somos todos igualmente falíveis e, da mesma forma, perfectíveis (capazes de atingir a perfeição), levaremos nossas relações a um novo patamar e, na sociedade, os padrões morais terão mais relevância que os padrões estéticos e sociais.
Você pode dizer que eu sou um sonhador, mas não sou o único. Eu sei que um dia viveremos isso e superaremos nossos mínimos defeitos.

sábado, 21 de setembro de 2013

A vida e as oportunidades

Há algumas semanas tenho vivido algo intenso e, ao mesmo tempo, desafiador. É uma sensação indescritível ver seu sonho se realizar de uma forma tão brilhante, como se já estivesse arquitetado em algum lugar do universo. Como se eu não pudesse fugir das situações e pessoas que tenho encontrado...
Certa vez, alguém me disse que a vida é um grande quebra-cabeças em que as situações são perfeitamente compreensíveis, mas estão dispersas... Perdidas umas das outras por nossa pobre capacidade de abstrair, juntar as peças, ou, simplesmente, deixar fluir... Aí está a verdadeira felicidade... Em não se expor à revolta, não perder noites de sono imaginando como será o futuro ou culpar-se demasiadamente pelos erros do passado. Só há um tempo com o qual devemos nos preocupar: AGORA... É agora que podemos lutar por um futuro melhor e desfazer o mal que possamos ter feito. Só há uma forma de viver, caro leitor... Viver com atitude, que é ter a coragem de dizer o que se pensa a quem quer ouvir e se abster quando não vale à pena.

Além disso, aprendi quando disse sim, que não devemos, em hipótese alguma negar a vida... O não é uma grade que nos aprisiona em nossos conceitos pré-estabelecidos do mundo e nos impede de mudar... Assim, fixos, imóveis nós (eu e você, leitor) perdemos grandes oportunidades... Oportunidades únicas que a vida nos oferece de conhecer pessoas, viver situações e desfrutar momentos únicos, que, certamente, nos levaram a sermos melhores do que somos ou, simplesmente conhecer outras realidades diversas da com a qual estamos habituados. Todos nós somos, como disse em um texto antigo, uma mistura inacabada do que nos permitimos conhecer. Por isso, é fundamental que vivamos o máximos, respeitando, é claro, os limites éticos, mas sem as restrições relativas ao velhos medos e preconceitos. Estes, devem ser abolidos da nossa rotina, sempre que possível...